Constipação intestinal, conhecida também como prisão de ventre ou intestino preso, caracteriza-se pela dificuldade para evacuar, fezes duras, ressecadas ou pequenas e frequência inferior a 3 evacuações por semana.
Sintomas
Os sinais mais comuns incluem:
- Dificuldade para evacuar;
- Fezes duras, ressecadas ou em formato reduzido;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Distensão abdominal e excesso de gases;
- Menos de 3 evacuações por semana.
Também podem ocorrer barriga endurecida, irritabilidade e sangramento ao evacuar ou no papel higiênico. Em casos mais graves surgem cólicas intensas, redução da qualidade de vida, incontinência fecal e retenção urinária.
Constipação em grupos específicos
Crianças
Em crianças, a prisão de ventre costuma estar associada a baixa ingestão de líquidos e fibras, mudanças no treinamento do uso do penico, medo do banheiro público, ou recusa em interromper brincadeiras. Medicamentos, suplementos e condições como doença celíaca, hipotireoidismo e diabetes também podem contribuir. Sinais de alerta incluem duas ou menos evacuações por semana, dor ao evacuar e fezes volumosas.
Gestantes
Na gravidez, o aumento de progesterona desacelera o trânsito intestinal e suplementos de ferro podem agravar a constipação, tornando medidas dietéticas e de hidratação especialmente importantes.
Como é feito o diagnóstico
O médico (gastroenterologista ou clínico geral) faz o diagnóstico com base no exame físico, na avaliação dos sintomas e no histórico de saúde. Quando necessário, podem ser solicitados exames de sangue e exames de imagem, como endoscopia, ultrassonografia, raio‑X, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para investigar causas estruturais ou sistêmicas.
Principais causas
Fatores comportamentais e alimentares são as causas mais frequentes: ingestão insuficiente de líquidos, dieta pobre em fibras e segurar a vontade de evacuar. Sedentarismo, uso contínuo de laxantes, estresse, ansiedade, depressão e efeitos colaterais de certos medicamentos e suplementos também podem provocar ou agravar o quadro.
Doenças associadas
Condições que podem levar à constipação incluem:
- Doença celíaca;
- Fibrose cística;
- Doença inflamatória intestinal;
- Esclerodermia;
- Tumores e alterações anatômicas do trato digestivo;
- Lesões medulares;
- Alterações metabólicas e endócrinas, como diabetes, hipotireoidismo, hipercalcemia e hipocalemia;
- Doenças musculares (ex.: distrofia muscular) e síndromes congênitas relacionadas ao funcionamento intestinal;
- Condições neurológicas, como doença de Hirschsprung, espinha bífida, acidente vascular cerebral, doença de Parkinson e esclerose múltipla.
Opções de tratamento
O tratamento depende da causa e da gravidade. Mudanças no estilo de vida são a primeira linha; medicamentos e procedimentos são indicados quando essas medidas não são suficientes.
Medicamentos
Quando necessário, o médico pode prescrever fibras sintéticas, laxantes osmóticos, pró‑cinéticos, óleo mineral ou supositório de glicerina. O uso de laxantes deve ser orientado por profissional para evitar dependência e irritação intestinal.
Dieta e hidratação
O aumento do consumo de fibras (cereais integrais, leguminosas, sementes, verduras e frutas) ajuda a aumentar o volume e a hidratação das fezes. Recomenda‑se ingerir entre 1,5 e 2 litros de água por dia para tornar as fezes mais macias e facilitar a evacuação.
Exercícios
Atividade física regular, pelo menos 3 vezes por semana (caminhada, corrida, yoga, musculação), ajuda a fortalecer a musculatura abdominal e a estimular o trânsito intestinal.
Remédios caseiros
Opções como chá de ameixa seca, suco de laranja com mamão e chá de cáscara sagrada podem ter efeito laxante devido ao conteúdo de fibras e substâncias que estimulam o peristaltismo, mas devem ser usadas com critério e, se persistir o quadro, sob orientação médica.
Treino intestinal
Estabelecer rotina de evacuação — por exemplo, tentar ir ao banheiro diariamente no mesmo horário, entre 15 e 45 minutos após refeições como café da manhã ou almoço — aproveita o reflexo gastrocológico. Sentar com apoio para os pés (banquinho) e atender prontamente à vontade de evacuar também são recomendações úteis. Em crianças já treinadas, incentivar tentativas de evacuação por 5 a 10 minutos após a refeição ajuda a regularizar o hábito.
Cirurgia
Procedimentos cirúrgicos podem ser indicados em casos de obstrução anorretal, prolapso retal refratário ou quando há disfunção grave do cólon que não responde a tratamentos conservadores, incluindo a ressecção do cólon em situações selecionadas.
Complicações possíveis
Sem tratamento adequado, a constipação pode causar hemorroidas, fissuras anais, dano ao assoalho pélvico, incontinência fecal, retenção urinária, fecaloma, prolapso retal e fístula anal. Em crianças, pode ocorrer também encoprese, com escape involuntário de fezes.
Como prevenir
- Aumentar a ingestão de fibras (frutas, verduras, leguminosas, sementes e cereais integrais);
- Beber cerca de 1,5 a 2 litros de líquidos por dia;
- Respeitar a vontade de evacuar e estabelecer horários regulares para ir ao banheiro;
- Praticar atividade física regularmente;
- Mastigar bem os alimentos;
- Evitar o uso prolongado de laxantes sem orientação médica, para não gerar dependência.
Se alterações nos hábitos e medidas conservadoras não resolverem a constipação, é recomendável procurar avaliação médica para investigação e tratamento adequado.
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via TUA SAUDE
